Reflexão #12 - Sobre ser inspirador



Não há nada mais mobilizador do que sentir-se inspirado. Um momento, uma pessoa, um filme, um livro, uma lembrança. A inspiração não vem do que se ouve, se vive ou se vê. Vem do que se sente e como se sente.


A inspiração vem da forma como enxergamos e interpretamos a mensagem. Vem pura e simplesmente da verdade do discurso, da palavra e da emoção.


No sentido literal da palavra, inspirar é trazer ar aos pulmões. É reabastecer-se, renovar-se. É um sopro de vida pra dentro de si.


É o ato de iluminar o espírito. Assim, singelo e verdadeiro. O que me leva a concluir que está exclusivamente relacionado ao despertar do melhor de cada ser humano.


Pra mim a inspiração é um exercício pessoal e intransferível, como o próprio ato de respirar. Absolutamente ninguém que não seja você mesmo pode fazer isso no seu lugar. Ou você sente e faz sentir. Ou não.


Vez ou outra pode até nos faltar o ar e essa é a apneia perfeita pra mergulhar dentro si.



Quem te inspira? O que te inspira e o que você acha que inspira nos outros? O que é feito das sensações, das perguntas e das emoções que você sente quando é inspirado? Suas inspirações te prendem ou te libertam?


São reflexões necessárias pra uma sociedade que tem respirado com o peito apertado e não se percebe refém de padrões diversos, que de inspiradores não tem nada (ou pelo menos não deveriam ter).


E é por tudo isso que eu queria te contar um segredo, daqueles pra espalhar pro bairro todo: você também pode ser inspirador.


Gente normal, assim como você, como eu e como os bilhões de pessoas que acordam todo o dia e saem para enfrentar suas batalhas. Cada um com a sua.


Eu me inspiro com Mandela, Gandhi, Paulo Freire, Madre Teresa, Vera Cordeiro, Oscar Schindler e Malala. Aaaah… Tem tanta gente.


Também me inspiro com a Maria que ajuda lá em casa há quase vinte anos e representa a força da mulher que se desdobra em mil para sustentar a família com dignidade.


Me inspiro com o Max que engraxa sapatos e corações no escritório em que eu trabalhava e ainda hoje me manda mensagens apaixonantes de amizade e fé.


Me inspiro com os meus pais que com muita humildade e esforço fizeram de tudo para que nunca faltasse NADA lá em casa (muito menos amor).


E me inspiro com as tantas personagens reais das nossas Experiências, que nos ensinaram mais sobre a vida do que qualquer outra coisa.



Eu suspeito que muitas dessas pessoas não sabem que são inspiradoras. Afinal, aparentemente, pra ser inspirador parece que a gente precisa fazer algo grandioso, que possa ser notado por muitos.


E tem algo mais grandioso do que aceitar viver a sua batalha e assumir as belezas e dificuldades de ser você mesmo e ninguém mais?


A minha história é só minha e por mais que eu faça questão de compartilhá-la com tanta gente querida, ninguém pode escrevê-la por mim.


O mesmo acontece com você. A sua história, a sua batalha e a maneira como você as enxerga são as suas mensagens pro mundo.


Por isso a importância de reconhecer o valor da sua luta e o que você tem feito dela. A gente não precisa de mais um herói fazendo coisas grandes. A gente precisa mesmo é de muitos heróis gerando mudanças pequenas.



Ser inspirador é ser verdadeiro com você, com o outro e conseguir transmitir essa verdade com um objetivo maior: trazer luz pro espírito e ar pros pulmões.


É aceitar que estamos sempre sendo observados por alguém e temos o poder silencioso de tocar as pessoas pelo exemplo, pelo ato e pelo simples fato de sermos quem somos.


Um ditado judaico diz que “quem salva uma só vida, salva toda a humanidade”.


Ser inspirador é isso. É salvar pelo menos uma vida, começando pela sua…


Bem vindo!


Gabi.