33 Dias Sem Machismo



Na última semana o Brasil tomou conhecimento de um estupro coletivo praticado por 33 homens contra uma jovem de 16 anos. Um vídeo com cenas da vítima desacordada foi compartilhado nas redes sociais e em pouco tempo alcançou milhares de visualizações.


Pelas leis internacionais o estupro é crime contra a humanidade e classificado como arma de guerra. No Brasil, entra no rol de crimes hediondos. Ainda assim, só em 2014 foram quase 48 mil casos de estupro registrados e estima-se que o número real seja perto de 500 mil. Isso sinaliza que uma mulher é estuprada a cada onze minutos por aqui.


Pra nós, não basta discutir o estupro como tipo penal. O debate necessário perpassa toda a estrutura sociocultural na qual estamos inseridos, que é pautada historicamente no destaque do homem como ser dominante, de maior autoridade e ocupador dos espaços públicos. A essa construção histórica damos o nome de machismo, que há séculos dita padrões de comportamento e relacionamento.


Tratam-se muitas vezes de sutilezas e detalhes que, pra quem não está disposto a mergulhar em si mesmo, certamente passarão despercebidos. A primeira delas começa pela compreensão clara e fundamentada dos termos machismo e feminismo, que ao contrário do que muitos pensam, não são antagônicos.


O machismo, como dito acima, é o fio construtor e condutor de toda a nossa estrutura social, enquanto o feminismo é um movimento de pessoas que pretende alcançar direitos equânimes e justos para a mulher. Não há pretensão alguma de que as mulheres passem a dominar os homens e trata-los da mesma forma desigual que experimentam hoje. Isso não é feminismo, é falta de informação.


A conquista do voto feminino, a ida das mulheres à universidade e a abertura para o mercado de trabalho foram conquistas feministas e ainda temos muito pela frente. Se não houvesse machismo, não haveria também a necessidade de mulheres saírem às ruas pedindo o direitos básicos, como voto e liberdade sobre o próprio corpo.


Acontece que pra mudar um modelo mental é preciso tempo, empatia e disponibilidade para o diálogo. Não é de uma hora pra outra que são superados séculos de dominação. A mudança cultural que desejamos, parte da revisão dos nossos hábitos e da humildade para reconhecermos que sempre haverá o que melhorar.


Pesquisas indicam que a prática contínua de algo novo por 21 dias são o começo para uma transformação de hábito. E foi pensando nisso que nós do Think Twice Brasil, ao lado de outros empreendedores sociais, criamos a campanha #33DiasSemMachismo, fazendo uma alusão ao número de homens que praticaram o estupro coletivo e o período inicial necessário para sacudirmos as crenças e padrões machistas, dando espaço à prática do diálogo e da empatia.

Ao longo de 33 dias serão postados desafios diários que instigam as pessoas a saírem de suas zonas de conforto e se aprofundarem no tema, compreendendo, através da experiência, a importância de se discutir equidade de gênero e direitos humanos.


Vem com a gente!


Para acompanhar e participar da campanha, acesse: Medium: https://medium.com/@33diassemmachismo Facebook: https://www.facebook.com/33DiasSemMachismo/ Instagram: #33diassemmachismo Twitter: 33 Dias Sem Machismo


O coletivo é formado por Bruna Viana – A Casa Imaginária; Carine Roos, do Maria Lab; Diego Casaes, do Vilynda; Gabriele Garcia, do Think Twice Brasil; Marianne Costa, do Raízes Desenvolvimento Sustentável; e Patricia Santin, da Sementeira Inovação Social e Desenvolvimento. Um obrigada especial à Katja van Heugten, Isabel Zampa, Rita Gilpatric e Sofie Carmlind.


Muito obrigada aos apoiadores Amani Institute, Conexão Planeta, Minha Sampa, Pluraliza, Portal do Aprendiz, Pulo do Gato, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, StreetFootballWorld, Uber e Womanity Foundation.


Gabriele